quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ESTUDANTES DEPREDAM ESCOLA E ACUAM PROFESSORES EM SÃO PAULO
Professores da Escola Estadual Amadeu Amaral, no Belenzinho, na Zona Leste de São Paulo, se trancaram em uma sala do colégio na manhã desta quarta-feira (12) durante uma briga de alunos. Segundo os estudantes, duas garotas discutiram e se agrediram. Em seguida, os jovens teriam começado a depredar o colégio, destruindo carteiras e janelas. A direção acionou a Polícia Militar. A PM chegou ao local por volta das 10h45 e controlou a situação. O pátio ficou lotado de carteiras e mesas atiradas pela janela. As aulas foram suspensas após a confusão. Às 12h25, diretoria e professoras estavam em reunião junto com representantes do conselho tutelar. A polícia recomendou aos alunos que fossem até uma base comunitária para prestar queixa. Uma aluna teve ferimentos leves, diz a PM.
De acordo com o SPTV, os professores fizeram um comunicado informando que casos de violência são freqüentes na escola. A Secretaria Estadual de Educação foi procurada pelo G1 e, por meio de nota, negou que os professores tenham sido acuados pelos alunos.
Batalha entre turmas
Segundo relatos dos estudantes, a confusão começou com uma briga entre estudantes das 6ª, 7ª e 8ª séries. Dois grupos se dividiram e passaram a se enfrentar fora das salas de aula. Os estudantes quebraram vidros e carteiras. Uma das envolvidas na confusão afirma que foi submetida a um corredor polonês. Os alunos que saíram na defesa dela entraram em confronto com os demais. Uma das meninas que diz ter sido atacada não sabe o motivo do começo da confusão, mas desconfia que seja discriminada porque mora em um bairro vizinho. "Sou a única aluna que mora no Brás. As outras moram no Belém", afirmou a garota, de 15 anos.
Policiais agredidos
O capitão Alexandre Marcos de Oliveira, da 4ª Companhia do 8º Batalhão da PM, disse ao G1 que ultimamente há muitos casos de indisciplina nessa escola, obrigando a polícia a intervir em algumas ocasiões. Segundo o oficial, policiais foram agredidos com golpes de carteiras quando entraram. Ele não soube dizer se houve confronto. Os alunos, por sua vez, dizem que foram agredidos.
Esclarecimentos da secretaria
A secretaria informou que colegas de alunas que brigavam na escola se envolveram na discussão e iniciaram a depredação da unidade. "A direção da escola informou à Secretaria que os professores não foram acuados pelos alunos. A direção irá identificar os alunos que participaram da depredação e acionará o Conselho de Escola, que reúne pais e educadores, indicando a expulsão e transferência dos envolvidos". Segundo a secretaria, cabe ao Conselho decidir a punição. A nota informa informa ainda que uma equipe da Secretaria irá averiguar os danos causados pelos alunos. Um aluno se feriu levemente, com corte na mão. A direção da escola decidiu suspender as aulas para que os danos sejam avaliados. "A Secretaria lamenta qualquer agressão contra alunos e professores. A direção da escola tomou a atitude correta de acionar a polícia para conter os alunos envolvidos no caso."
ONDE É QUE EU FUI AMARRAR MEU BURRO!!!
O discurso era lindo. Os livros de Paulo Freire eram lidos com fervor e suas teses defendidas com a própria vida. E tudo o que precisávamos era de paciência e boa vontade. Os alunos eram pequenos diamantes brutos esperando um EDUCADOR que os lapidasse e a sala de aula era um lugar sagrado para deveríamos ir cheios de fé, não sem antes fazer todo um ritual de planejamento e preparação. Curso de Letras...bons tempos...
Nada havia nos preparado para a primeira experiência numa sala de aula do mundo real. Os alunos entram aos berros e falam palavrões impublicáveis com a naturalidade de quem dá um oi. Um deles passa por você e assobia:
- Carne nova no pedaço! Falaê, gostosa!
Você se apresenta para a turma e tenta deixar bem claro que leva seu trabalho a sério. Tenta fazer um contrato didático.
- Sai fora!
- Do que ela tá falando? Tá doida?
Descreve sua disciplina e o que será feito ao longo do curso. Ninguém dá a mínima. Fala sobre a avaliação. Só ouve a conversa animada que vem do fundo da sala. Pede atenção. Querem perguntar alguma coisa?
- Tu é casada?
Não, não. Era sobre o curso e os meios de avaliação.
Inicia a aula e eles fingindo que você não está lá. Um deles se altera: o colega xingou sua mãe por causa de um boné ou coisa parecida. Arranca um pedaço da carteira e sacode no ar como ameaça.Você tenta acalmar os ânimos e acaba sendo xingada também. Quem você pensa que é? Nem meu pai manda em mim! Vai me tirar da sala? Sua ~@^#~&, eu sou "dimenor", sei os meus direitos! Vou te furar!
Já peitei muito aluno no início, mas hoje em dia não dá mais pra arriscar.
A promessa do "te pego lá fora" foi substituída pela realidade do "te pego em qualquer lugar com uma arma branca". E aí já viu... É capaz dos doutores dizerem no seu enterro:
-Também, foi provocar a criança!
INSALUBRIDADE JÁ!
Nós merecemos sim!
Segundo a Constituição Federal, Art. 7º, inciso XXII, todo trabalhador que desenvolve atividades consideradas penosas, insalubres ou perigosas na forma da lei tem direito de receber adicional de insalubridade em seus vencimentos.
As atividades que são consideradas insalubres são aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância, fixados em razão da natureza e da intensidade do agente nocivo e do tempo de exposição aos seus efeitos (Art. 189 da CLT Consolidação das Leis Trabalhistas).
Os agentes nocivos são classificados como químicos, físicos e biológicos.
Pensa comigo: pó de giz, ar-condicionado imundo(quando tem), água torneiral (quando tem), calor, ruídos, doenças infecto-contagiosas... Ah, e eu acrescentaria mais um agente nocivo, o psicológico: forte pressão, stress, cansaço mental...
Isso sem contar o risco de morte. Será que agora teremos que passar por um treinamento como o dos agentes penitenciários para saber o que fazer em caso de rebelião? Vão liberar nosso porte de arma? Pelo menos um sprayzinho de pimenta?
E a pergunta que não quer calar:
ISSO TAMBÉM É CULPA DO PROFESSOR?!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

É POR ISSO QUE O BRASIL NÃO VAI PRA FRENTE


Um dos termos que destoa totalmente do seu significado é "paciente". Quando uma pessoa está enferma ou necessita de acompanhamento médico, ou mesmo acompanha alguém em tal situação, a última coisa que ela tem é paciência. A dor, o desconforto, as dúvidas e o medo muitas vezes nos tiram a clareza de raciocínio e deixam as emoções à flor da pele. Infelizmente, no Brasil, o atendimento à população ainda é desumano, incoerente e precário.
Você pode pensar: "Ih, lá vem ela falando mal do sistema público de novo..."
E tem como falar bem? Aliás, a falta de preparo de funcionários para lidar com as pessoas não é privilégio do sistema público.
Minha penúltima experiência foi uma ultrassonografia na Maternidade Bárbara Heliodora, que tinha sido marcada para as seis e meia da manhã, pois pobre que não amanhece em fila perde a carteirinha. Cheguei às seis e quarenta e me mandaram entrar correndo porque já estavam quase acabando. Esperei mais uns dez minutos até que a enfermeira parasse de me ignorar e pelo menos olhasse para mim. A "simpática" que marca e auxilia na consulta, quando resolveu parar de me castigar, disse em voz alta e salientando bem as palavras:
- Ainda tem alguém das SEIS E MEIA? Ah, você veio pra ultrassonografia das SEIS E MEIA? Agora vai ter que aguardar aí, que todas as outras que chegaram às SEIS E MEIA já foram atendidas. Tem que chegar na hora marcada porque o médico num espera por ninguém, não! É melhor você esperar por ele do que ele por você.
- Quer dizer que em meia hora já foram atendidas sete pacientes? Imagino o nível do serviço... - alfinetei.
Já tinham começado a atender as mulheres que iam fazer a endovaginal, trabalho que não demorou dez minutos. Comentei com outra grávida atrasada que esperava comigo:
- Será que ele dá pelo menos um 360° na barriga?
Realmente, a coisa é deprimente. A enfermeira, que já tinha "garrado um ódio" de mim pelo comentário, me fez deitar na cama e voltou pro lugar dizendo pro médico:
- Hoje mandaram a lista completa pra nós, num faltou ninguém.
Ao que ele respondeu, pasmem:
-É, isso é castigo pra nós!
(Pausa para um palavrão que não tenho coragem de escrever aqui, mas que me vem à cabeça quando lembro deste episódio. Você, leitor, por favor, imagine-se ouvindo Fur Elise ou algo do gênero.)
Respirei fundo e fiquei calada. Foi difícil, mas eu queria ver aonde aquilo ia levar.
Foram os três minutinhos mais difíceis da minha gravidez. O médico, sem olhar no meu rosto, disse rispidamente:
- Levanta a blusa!
Ditou alguma coisa para a enfermeira e sussurrou, ainda sem me olhar:
- Menina.
- Como? - realmente não tinha entendido, ou porque ainda estava meio atordoada ou pela forma como ele falou.
Dessa vez ele olhou pra mim, incrédulo, como se eu tivesse perguntado a coisa mais estapafúrdia do mundo. A resposta foi quase um rosnado:
- ME-NI-NA!
Saí de lá pensando em como é fácil estragar a felicidade das pessoas. Lá fora, a grávida que tinha entrado junto comigo perguntou se ele tinha me dito o sexo. Respondi que sim e ela vibrou:
- Que sorte a sua, da outra vez que eu fiz, fui cair na besteira de perguntar e o médico nem me respondeu.
O engraçado é que em todos os órgãos públicos vemos nas paredes o artigo 331 do código penal, que diz que desacatar funcionário público no exercício de sua função ou em razão dela é crime com pena de detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa. Mas onde é que está a lei que assegura o direito do cidadão a ter um atendimento digno? Pagamos nossos impostos (termo que combina perfeitamente com seu significado) e é isso que temos assegurado: o direito de permanecer calados e engolir todo o tipo de abuso praticado por ditos "profissionais" que acham que fazem grande favor em cumprir com suas obrigações e humilham seres humanos sem os quais não teriam como ganhar seu dinheiro no final do mês.
Realmente é preciso ser paciente, muito paciente pra aturar esse sistema que é feito para privilegiar poucos e assegurar direitos a pessoas com condutas duvidosas. Enquanto o povo for tão paciente e resignado nada vai mudar. Haja maracujá...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


OUTUBRO ROSA


O “Outubro Rosa” teve início nas cidades de Yuba e Lodi, na Califórnia e tem o objetivo de dar visibilidade à causa do câncer de mama, a fim de conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce da doença. O Projeto, que consiste na iluminação de monumentos históricos, tomou proporções mundiais, passando pela Torre de Pisa na Itália e o Arco do Triunfo na França e neste ano também contou com ações no Brasil.
O Projeto Esperança e Vida é uma iniciativa mundial da Astrazeca para a Sensibilização social dos cuidados com a saúde da mama. A Filial da empresa em nosso país propôs uma parceria com a FEMAMA, para desenvolver a ação em território nacional, a qual foi realizada em comemoração ao “Outubro Rosa”. O Projeto teve como objetivos alertar e orientar sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama, ressaltar a relevância da mamografia e prestar informações sobre a saúde da mama e contribuir para erradicação do câncer de mama como uma doença que ameaça a vida.

(fonte:http://www.femama.org.br/site/principal/projeto_outubro_relatorio.php)

UM PROJETO MARAVILHOSO QUE ESBARRA NA INCOMPETÊNCIA DO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE, JÁ QUE PARA MUITAS TORNA-SE QUASE IMPRATICÁVEL TER UM ACOMPANHAMENTO MÉDICO DECENTE.
NÃO BASTA IR NA TV E DIZER: "EI, VOCÊ PRECISA SE CUIDAR, VIU? É MUITO SIMPLES..."
QUANDO A MULHER CHEGA NO POSTO DE SAÚDE, A REALIDADE É OUTRA.
SEJA PELA FALTA DE PROFISSIONAIS NOS POSTOS OU PELAS PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO E PELO SALÁRIO RIDÍCULO QUE ESSES PROFISSIONAIS RECEBEM POR UMA CARGA DE TRABALHO PESADA, A VERDADE É QUE POUCA IMPORTÂNCIA SE DÁ ÀQUELAS MULHERES AMONTOADAS NAS FILAS DO SUS.
UMA MULHER QUE PRECISA TRABALHAR NÃO PODE PERDER DIAS(SIM, DIAS!)TENTANDO MARCAR CONSULTAS NOS POSTOS. NEM SEMPRE HÁ FICHAS PARA TODOS(VOLTE OUTRO DIA!). RECEBENDO UMA FICHA, NÃO HÁ A CERTEZA DE QUE O MÉDICO VIRÁ, ÀS VEZES ELA SÓ FICA SABENDO DA FALTA DEPOIS DE PERDIDA A MANHÃ INTEIRA(VOLTE OUTRO DIA!!). POR FIM A DEMORA PARA MARCAR, FAZER E ENTREGAR EXAMES. E A MAMOGRAFIA SÓ ESTÁ DISPONÍEL PARA MULHERES COM MAIS DE 40 ANOS. A BURROCRACIA TAMBÉM FAZ MAL À SAÚDE.

FAÇA O TOQUE. É DE GRAÇA E NÃO ENFRENTA FILAS ( A NÃO SER QUE SEUS SEIOS SEJAM LIIIIIIIIIINDOS!)

domingo, 19 de outubro de 2008

É POR ISSO QUE EDUCAÇÃO NÃO VAI PRA FRENTE

Sábado, 18 de outubro, reunião de pais e mestres na escola onde trabalho. Olha como é grande o interesse dos pais pela educação dos filhos:


Logo abaixo, a parte mais cheia da arquibancada:


Detalhe: os poucos que apareceram eram em grande maioria pais de alunos que não apresentam nenhum problema na escola.
Enquanto isso, na sala da justiça, a direção queria saber por que as notas ficaram abaixo da média e o que O PROFESSOR vai fazer quanto a isso.
É freud...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ontem foi dia dos professores.


Obaaaaaaaa! Vamos comemorar!


Mas comemorar o que mesmo? A decadência do ensino? O professor refém? O comércio que virou a educação?


Chega de hipocrisia. Não tem nada pra comemorar. Todos os dias nos deparamos com as situações mais escabrosas, que vão desde vídeos pornôs com alunas de 12 anos até ameaças de morte. E os "pais ou responsáveis" nunca podem fazer nada. Quando aparecem (o que é raro, pois a maioria despacha seus filhos e acha que a escola tem a obrigação de terminar de criá-los), vêm logo dizendo que não sabem por que estão ali, tiveram que faltar trabalho, são muito ocupados, já tentaram de tudo...

- O que a senhora quer? Que eu mate?

Fala sério! Dá vontade de dar uma boa lição numa pessoa dessas. Dizer que não sabe o que fazer com uma criança de 10, 11 anos é brincar com a minha inteligência. Disciplina, minha gente!

- Eu falo, mas ele num me obedece, só faz o que quer...

Quem é o pai? Quem sabe o que é bom pra ele? Quem tem que impor limites?

Aí o cara joga uma criaturinha que acha que é dona do mundo portão adentro e quer que a gente dê a ela tudo o que não tem em casa: limite, disciplina, noções de mundo, comportamento, higiene, amor, compreensão, seja psicólogo e ainda por cima ensine o conteúdo básico. Tudo isso em uma hora de aula.

Os senhores "educadores" que ficam em suas salas com ar-condicionado e computador, inventando mil maneiras de nos explorar e mil formas de nos culpar pelos fracassos, dirão que "tudo depende da vontade do professor". Li muitos livros nos quais essas pessoas se baseiam e posso dizer que grande parte deles me serviu melhor como calço de mesa e peso para papéis do que como recurso na vida escolar.

Tente ser esse professor de conto de fadas numa sala com mais de 40 alunos, com UM ventilador defeituoso, quente feito o inferno, ouvindo gritos, gracinhas e palavrões dos mais assustadores, com a garganta doendo pelo esforço para que todos escutem alguma coisa. Adicione a isso, dois alunos especiais, sendo que você nunca foi capacitado para ensiná-los, e que são frequentemente ridicularizados pelos outros anjinhos (mais uma tarefa para o superboboca do professor). Junte também os índices de aprovação. Não adianta dizer que você passou milhões de trabalhos e eles ignoraram, deu mais prazo e necas, fez dinâmicas e eles num tchum, mudou a metodologia, chamaram você de besta, revisou tudo de formas diferentes e nada. Se VOCÊ tiver muitas notas vermelhas numa turma, vão querer saber o que aconteceu com VOCÊ e o que VOCÊ vai fazer para aumentar essas notas. " Quem sabe outra recuperação?" Afinal, temos que garantir o dinheiro da escola...

Eu poderia passar horas escrevendo sobre isso, mas ainda estou cansada pela jornada diária e pensando seriamente em mudar de profissão. Ainda mais depois de trabalhar no nosso dia e depois ter uma "festa" que os alunos passaram um mês organizando e que consistia em alguns refrigerantes que dividiram entre eles mesmos e levaram pra casa. Ah, e um aparelho de som tocando funk nas alturas. Aff...

Enquanto isso, um dos professores reclamava: " Até no dia de finados é feriado... e o povo leva pelo menos uma vela pro defunto..."

É freud...




RECEBI ESTE MANIFESTO POR E-MAIL E RESOLVI POSTAR PARA FAZER CORO A ELE:

De mãe para mãe

Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão
contra a transferência do seu filho, menor infrator,
das dependências da FEBEM em São Paulo
para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho,
das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo,
bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato,
assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação,
contam com o apoio de comissões, pastorais,
órgãos e entidades de defesa de direitos humanos.

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto.
Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho.
Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades
e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício,
só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados,
para auxiliar no sustento e educação do resto da família.
Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha,
para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou
estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho,
trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
No próximo domingo, quando você estiver se abraçando,
beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu
e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa,
pode ficar tranquila, viu? Que eu estarei pagando de novo,
o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem, tá?

Circule este manifesto!
Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil!

' Direitos humanos são para os Humanos Direitos'!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Enfiando o pé na língua...

Uma farsa! Só cara de bom...

BAIXARIA

Dessa eu fui vítima! Na última sexta, fui registrar a estréia do tão esperado e badalado Circo do ator Marcos Frota para o programa Geração Gazeta. Antes não tivesse ido!
A história foi bem assim: cheguei as 8 da noite, no dia da estréia. Ele chegou apenas às 10 e 30, até sorridente - parecia simpático.
Bem, fui lá e me apresentei. Ele disse que aguardasse um pouco. Esperei! Nesse mesmo instante chega uma pessoa, uma senhora que trabalha no circo e conversa com ele - o Sr. Marcos Frota.
As primeiras palavras dele foram 'Oi Ruti, você é uma mulher do Rio de Janeiro, de São Paulo e não dessa BOSTA!' Isso mesmo, ele acabara de falar que Rio Branco era uma bosta.
Fiquei boba da sua petulância e já não gostei do comentário. Na mesma hora, ele olha pra mim e diz que era apenas uma brincadeira - com ar irônico. Pena, e sorte dele, que nessa hora a câmera ainda não estava gravando!
Com sua autorização, começo a entrevista...ele ironicamente disse pra ser chamado de Sr. Voltei a entrevista de novo chamando-o de Sr. Ele olha pra mim, e diz que estou o chamando de velho.
Enfim, nesse instante ele pega meu microfone e sai para entrevistar as pessoas ao lado. Achei normal, apenas uma brincadeira. Mas, para minha surpresa, ele pegou o microfone e começou a fazer gestos obscenos. Isso mesmo!
Quando percebeu que ainda estava sendo filmado, pirou o cabeção e quis tomar a todo custo a fita da minha câmera.
Meu cinegrafista, esperto, apenas adiantou a fita e disse que tinha apagado tudo.
Ele, o Sr. Marcos Frota o fez prometer que estava tudo apagado e que iria dar uma entrevista séria agora.
Olha, não tinha mais clima. Contudo, ainda fiz pra ver até onde ia tudo aquilo.
Gente, o homem é um grosso. E para quem lida com o público e com crianças, lhe fatou humildade, profissionalismo e educação.
Desfez do Acre, tratou mau a imprensa e ainda diz que é brincadeira?
Tô fora Sr. Marcos Frota!
E o circo? Gente, se não fosse pelos artistas, que ao contrário dele nos trataram muito bem, diria que deixa a desejar e muito.
Bem, que ele surta já sabia. Não foi surpresa. Mas chamar o Acre de Bosta...aff, pura grosseria!



Postado originalmente no blog da jornalista Jocely Abreu:

http://jocelyabreu.blogspot.com/

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A Festa da Democracia Onde Tudo é Obrigatório
ou
Você Pensa Que é Bonito Ser Feio?
Mais uma eleição passou e como eu já havia anunciado, anulei meu voto. Antes de dizer alguma coisa áspera, pensa comigo:
1. Sou a favor do voto facultativo;
2. Perdi o encanto pelo partido no qual sempre votei, mesmo sendo dos males o menor;
3. A oposição é burra, eu iria votar em quem?
Acho que o voto obrigatório é uma forma de aumentar os números e só interessa aos próprios políticos. Com isso cria-se uma abertura para que as pessoas que não estão bem informadas ou mesmo que não se interessam pela questão sejam cercadas e manipuladas de todas as formas.
- Vai votar em quem?
- Sei lá, qualquer mané! Tem que votar mesmo...
- Então vota no fulano...
Com o voto facultativo seria mais difícil, só votaria quem realmente estivesse interessado e com posições e idéias bem definidas. Até porque hoje em dia, tenho certeza que muita gente nem sairia de casa para votar tal é a falta de fé nos políticos.
E diga-se de passagem: a gente vê cada uma!
Desde incoerências como "seja consciente, vote Chico Doido!" até " vote em mim porque sou filho do meu pai e até uso a mesma musiquinha dele". E os títulos? Fala sério! Fulano do mercado, pastor fulano da igreja tal, fulana vendedora, fulaninho de tal bairro. Até esperei ver " vote traveco da esquina do São José"! Oras, todo mundo quer uma bocada dessas...
Mas a grande surpresa foi ver que grande parte da população está tão descrente quanto eu. Alguns candidatos famosos e com discursos bem elaborados ficaram de fora ou no rabinho da fila. E o melhor estava por vir!
Um belo dia, estava em frente de casa quando parou uma bicicleta. Dela desceu um homem miudinho e magro, de aparência muito humilde. E foi humildemente que ele fez seu discurso e pediu um voto de confiança, não prometendo nada além de lutar pelos menos favorecidos. Era ninguém mais ninguém menos que Cabide, o azarão da eleição!
Dá-lhe Cabide! Desbancou muito político mauricinho que já se achava eleito. Foi o voto de protesto de muita gente de cabeça feita na cidade. Deus queira que ele, uma vez na cova dos leões, não perca suas raízes.
E por falar em raízes, parece que todo mundo agora é PT. Até gente que vivia criticando na TV. Tudo bem que um homem tem direito de mudar de opinião, mas assim é demais. É brincar com a minha inteligência. E aquele empresário famoso, que parece um pato, a cada passo uma cagada, quase consegue outro escândalo. E dessa vez no PT...
Mas é assim mesmo...
"Semente, semente... se não mente, fale a verdade: de que árvore você nasceu?"
Se cuida PT, com um amigo desses...
Por essas e outras que continuo dizendo:
Todos os partidos políticos são iguais...

sábado, 4 de outubro de 2008

Evolução do ensino de matemática no Brasil

1. Ensino de matemática em 1950:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução desse carro de lenha é igual a 80% do preço de venda.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução desse carro de lenha é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução desse carro de lenha é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, queindica o lucro:

( ) R$ 20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução desse carro de lenha é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00. Está certo?

( ) Sim ( ) Não

6. Ensino de matemática em 2008:Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100, 00. O custo deprodução desse carro de lenha é R$ 80,00. Se você conseguir ler, coloque um X no R$ 20,00...

( ) R$ 20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$10

domingo, 14 de setembro de 2008

Fala aí

É o tipo de coisa que só acontece conosco. É só dizer que se formou em inglês pra ouvir o famigerado pedido: “Então, fala alguma coisa aí pra eu ver!”. Alguns inocentemente, pela curiosidade, outros num tom de dúvida, beirando o desafio, com aquele meio sorriso de deboche. Já usei da boa e velha cortesia, dizendo uma bobagem qualquer. Mas há algum tempo decidi: se quer meus serviços, pague por eles. Estudei muito para isso. Quem se apresenta em troca de aplauso é mico de circo. Eu levo meu trabalho a sério, chega de ficar dando showzinho para divertir as pessoas. E olha que tem algumas que são bem abusadas.
- Ah, fala aí! Como é “bom dia”? E “eu te amo”? Ah, essa eu já sabia. Fala mais alguma coisa aí!
- Something.
- O que?
- É alguma coisa em inglês.
- Ahnn...
Fala sério! Será que isso acontece com outros profissionais? Quero dizer, gostaria de ver uma pessoa dessas falando a um dentista:
- Então, extrai esse ciso aqui pra eu ver!
Ou:
- Pedreiro? Então, levanta uma parede aí pra eu ver!
Ou ainda:
- Cirurgião? Então, abre meu tórax aqui pra eu ver!
E tem aqueles que vêm com o texto decorado de casa, pra testar nossos conhecimentos e, eventualmente, nossa paciência:
- Duvido você traduzir isso aqui!
- Ah, isso quer dizer que a pessoa não guarda nenhum segredo.
- Te peguei! Segundo o dicionário, aqui diz que a pessoa num tem nenhum esqueleto no armário.
- É que se trata de uma expressão...
- Num me enrola, você num sabia!
Salvo os mágicos, que devem ser obrigados a fazer truques de cartas até em velórios, nós, professores de inglês somos os profissionais mais sofredores que existem. Mas quer saber? Às vezes a gente se diverte!
- E o meu nome?
- Como?
Ai, ai, ai... Não adianta explicações, o povo quer que a gente faça o milagre de traduzir para o inglês a desconcertante criatividade brasileira.
- Quero saber como é Valdicreide em inglês.
- Ahn... hum... pffffff...ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah...
- Se num sabe, fala, pô!
- ah, ah, ah...é...é..pffff...hua, hua, hua, hua....
- Nojenta!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ALGUÉM PODE ME DIZER ONDE O CANDIDATO A PREFEITO SÉRGIO PETECÃO FAZ SUAS COMPRAS? O CARA CONSEGUE FAZER MILAGRE COM 64 REAIS!PETECÃO, FAZ AS COMPRAS PRA MIM, VAI...

sábado, 6 de setembro de 2008

"Não adianta olhar por céu, com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve,
Você pode,você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Não quer dizer que você tenha que sofrer
"

"Muda, que quando a gente muda
O mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude
Nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?"

(Gabriel o Pensador)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

♫"Quero saber por que não tenho direitu-tu
A ter um bom atendimentu-tu" ♫

A Via Crucis de uma grávida que depende do sistema público de saúde.

À espera do terceiro filho e pela segunda vez tendo que utilizar o sistema público de saúde, vejo que em cinco anos nada mudou. A saúde continua um caos. Diagnóstico: metástase.

Há cinco anos atrás depois de passar muito mal, fui encaminhada para atendimento na Maternidade Bárbara Heliodora, onde são tratados os casos de gravidez de risco. Só o termo “risco” já deveria ser um pressuposto de bom atendimento (risos). Vã esperança. Dei o azar de ser atendida por uma senhora de nome Elizabeth, nada simpática. Na verdade, quando olhava para ela imaginava um apartamento escuro e dezenas de gatos. A expressão era de estar sempre sentindo cheiro de cocô, sabe, aquele nariz franzido. E o humor, esse era ótimo! O mundo deve ter feito um grande mal a ela.

Depois de críticas sobre meu peso, um sermão sobre o exame preventivo de câncer e dezenas de suspiros impacientes, eu tinha que falar aquilo!

- Drª., eu queria pedir mais uma coisa...

- Ah, todo mundo quer me pedir alguma coisa! Quero ver quem é quem vem me dar!

Era só um atestado. Mas como professora de contrato provisório, cujo único direito é o de “permanecer calada e tudo o que disser pode e será usado contra você numa nova contratação”, engoli mais um sapo – um a mais, um a menos, que diferença faz? – e fiz o tal pedido.

Na fila da ultra-sonografia, a regra também é essa. Foi engraçado ver a senhorinha de cara entediada gritar de forma mais entediada ainda: “As que vão fazer a endovaginal truxero as camisinha?” ao que algumas mulheres na fila responderam balançando camisinhas no ar. Quando entrei, uma enfermeira simpática disse baixinho, toda preocupada: “Minha filha tire o sapato rapidinho e já fique aqui pronta, que ele num gosta de esperar. Ah, e num fique fazendo pergunta sobre o sexo do bebê, que os médicos não gostam, tá?”

Parece mentira, mas acredite, eu estava lá, e realmente o que ele me disse foi um rápido “não deu pra ver o sexo”. Tive que pagar para saber que esperava um menino. O médico da clínica particular disse que só sendo cego para não ver um “pintão” daqueles!

Bom, aqui estou eu cinco anos depois. Continuo no contrato provisório e os sacrifícios da família são para manter meus filhotes em escola particular e com plano de saúde em dia. Por isso, fila do SUS de novo! A novidade agora é que nos postos somos atendidas por enfermeiras. Elas fazem requisição de exames e prescrevem receitas. Não quero de forma alguma diminuir a classe, aliás, o atendimento é até mais humano com elas, são bem mais atenciosas. Mas por que uma grávida não pode ser assistida por um médico? Quero dizer, como podemos ter assegurados os direitos da gestante de conversar sobre o parto, escolher a melhor forma, dividir seus medos?

Pois bem, depois de ter um cisto detectado na ultra-sonografia, procurei um ginecologista para obter maiores informações. “Isso é normal. Da próxima vez, você pode ir com a enfermeira mesmo”. Não satisfeita (sou teimosa mesmo!), procurei uma segunda opinião num outro posto. Nada fácil, pois quase não há médicos nos postos! Dessa vez, a médica já me recebeu com a pergunta “por que eu não tinha ido me consultar com a enfermeira?”. Falei dos meus medos, do cisto, das duas cesáreas, que não sinto dores ou contrações e não tenho passagem, que me deixam esperando muito tempo...

- Não sente nada? Bom pra você! É assim mesmo, tem que esperar até ter contrações senão sangra demais. E da próxima vez, pode ir com a enfermeira mesmo.

Aff... e nem falei das filas, da espera, das faltas do profissional que só ficamos sabendo depois um dia perdido, das condições de atendimento, da falta de remédios...

Me deu uma saudade da minha primeira gravidez, quando pude fazer tudo particular e mudaram meu nome para "meu bem"! Bons tempos...

Agora, aprendida a lição, ligadura já!

Ahnnnn ... mas preciso perguntar onde e como faço isso. Ah, nãoooooooooo! Vai começar tudo de novo...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SUA

SUAVE CANÇÃO
SEUS OLHOS DERRAMAM
DOCE É O SOM
DA SUA LÁGRIMA
SUSPIRA...
SUSPIRO...
SILENCIOAMENTE
BEIJO SUA FACE
PARA SORVER SEU CHORO
E SUSSURRO AO SEU OUVIDO:
- SOSSEGA, SOU SUA...

( TINA )

domingo, 31 de agosto de 2008

Nelas não está incluso o domínio da LE.
Pooooooxa, por que não me chamaram pra ajudar?

sábado, 30 de agosto de 2008

MI CASA ES SU CASA… O ESCAMBAU!

Se você me ama, não me peça nada emprestado! Nem mencione a possibilidade, sob pena de me ver ter uma crise de nervos envolvendo tremores, suor frio, gagueira e um olho só piscando freneticamente. Estou avisando, vai ser assustador! As pessoas vão questionar o que você deve ter feito, indivíduo sem coração, para deixar uma pessoa nesse estado e você antes de ser linchado só vai ter tempo de gritar: “ Era só um DVD! Eu juro!”
Bom, alertado você foi...
É estranho como as pessoas desenvolvem certas fobias. Saiba, amigo, que nem sempre fui assim. Eu, na verdade, era daquelas pessoas que sempre gostavam de agradar. Pior ainda: fazia parte daquele grupo de pessoas propensas a ter ataques cardíacos, depressão, desenvolver úlceras e ter câncer. Não falo dos sedentários, fumantes ou alcoólatras. Estou falando das pessoas que não sabem dizer não. Sim, leitor! Eu confesso! Ó, fraqueza de espírito cruel!
Mas esse terrível distúrbio não estava sozinho. Aliado a certa timidez, chegava a ser perigoso.
- Vamos atravessar o rio a nado.
- É que eu não sei...
- Deixa de ser mole, mulher, tem que curtir uma aventura. Pula logo! Isso, agora me segue... Tina?
- Glub...glub...
Se você conhece uma pessoa que não sabe dizer não, amarre-a! Um dia ela vai agradecer.
A ruína de quem não sabe dizer não é ter em companhia uma pessoa que fala pelos outros.
- Quer sopa de jiló, querida? Leva soja, receita nova, preciso que alguém prove.
- Ham... É que eu já jantei, até comi demais...
- Ela quer sim, é que ela é tímida!
- Aff...
E tem aquela pessoa que finge não escutar uma sutil desculpa insinuada.
- Dá uma olhadinha nos meus três filhos enquanto eu dou uma saidinha com os amigos?
- Ih, tenho um planejamento pra entregar amanhã, coisa chata, dificílimo...
- Só umas horinhas, tá? Valeu mesmo! Aqui tem as fraldas, mamadeira, remédios pra febre e diarréia...
Mas os empréstimos... Ah, esses são os piores. Raramente alguma coisa volta, e quando volta, tenho vontade de chorar quando vejo o estado lastimável. Lixo. Sem contar que moro num ponto do universo onde as coisas somem misteriosamente, um buraco negro que engole coisas, na grande maioria minhas, e nunca devolve. São centenas de lápis de olho, batom, sombra, roupa, acessórios, esmaltes, perfume CDs e similares que simplesmente viraram pó.
- Lápis de olho?
- É.
- Não, vi não. Não sei nem o que é.
- Mas você usou ontem.
- Ah... Lembrei! Hum... vi não.
Mas o ponto máximo da festa, ou seja, o clímax, onde a coisa realmente desandou foi ficar sem uma das minhas paixões: meus filmes. Saio pouco de casa, só para respirar um pouco de vez em quando. Gosto mesmo é de um filminho ou um bom livro embaixo do edredom. Infelizmente para algumas pessoas, objetos dos outros não parecem ter valor algum. Já perdi a conta de quantos títulos maravilhosos perdi emprestando. Alguns, inclusive, que eu uso nas minhas aulas. Isso me deixa doente!
- Sabe aqueles DVDs que eu te emprestei outro dia? É que eu vou passar um filme na escola e queria um deles.
- Ah, num vai dar não, ó. Tá tudo na casa da Patricinha, emprestei pra ela semana passada.
- Todos os dez?
- Depois eu passo lá e pego.
- Mas já tem dois meses.
- Hum, pois é, se é que eles ainda existem... Ah, passa outro! Por falar nisso, num tem nenhum novo aí, não?
- NÃO!
- Nem um livro? Aquele que eu te vi comprando...
- Gah...ugh..grof...
- Esse olho piscando, essa tremedeira, você ta me assustando...
Ufa! Não foi fácil. A primeira vez é dureza. Mas eu consegui. Não sem um trauma e seqüelas permanentes. Mas o fato é que aprendi a dizer não. Não. Não, não, não e não! Não de novo, só pra apreciar o som. Se eu não cuidar de mim e das minhas coisas, quem vai? Pode ser o Bento XVI, vai ouvir um não redondo. Ainda gosto de tratar bem meus amigos e de agradá-los, mas para alguns, um pequeno grupo, as coisas vão mudar.
-Sinta-se como se estivesse na MINHA casa.


sexta-feira, 29 de agosto de 2008


"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." (Friedrich Nietzsche)


Eu voto Nulo


Na margem do Rio Acre eu sentei e chorei...
Não vou falar de lendas porque tudo em que sempre acreditei não passa de mentira.
Quem dera eu pudesse voltar no tempo até aquele momento de escolha, no qual um "sim" ou um "não" podem mudar toda a nossa vida...
Eu teria dito não. Um não bem grande àquilo que chamávamos de ideologia e que hoje me faz parecer uma tola. Os verdadeiros heróis da história, aqueles que foram às ruas pedir mudanças, que queimaram ao sol para eleger o partido, agora estão esquecidos e humilhados. Alguns de nós até perseguidos. E por quem? Algum partidário rival arrependido, vindo de algum lugar das trevas para ganhar dinheiro e fazer nome em cima dos verdadeiros merecedores de reconhecimento.
Alguns até podem dizer que lá estão por mérito próprio. Realmente. Ser parente de político hoje em dia é um grande mérito.
E observando a lentidão, a falta de critérios, a arbitrariedade e o modo como as atitudes são tomadas ultimamente, esse PT novo, "admirável PT novo", não se enquadra mais na minha noção de ideologia. E não é mais, portanto, opção de vida.
Os mesmos companheiros que até bem pouco tempo atrás apertavam nossas mãos vestidos de camiseta, havaianas e colar de sementes, hoje passam em seus carrões do ano, de terninho ou de saltinho 15, sem olhar humanamente para quem ainda está na luta.
Na luta ainda estou eu, pobre professora de contrato provisório, (tirada do EJA por "saber demais") que trabalha assim desde quando ninguém em sã consciência aceitava lecionar para o Estado.
E fazia por ideologia.
Fazia...
A ideologia morreu...
Todos os partidos políticos são iguais.


Tina

"EU SOU GUERREIRO, SOU TRABALHADOR! E TODO DIA VOU ENCARAR COM FÉ EM DEUS E NA MINHA BATALHA. ESPERO ESTAR BEM LONGE QUANDO O RODO PASSAR..."


Precisa-se de Paquita

Professora de Ensino Fundamental de colégio público procura Paquita com experiência. Tratar com a autora.

Estava eu num de meus passatempos preferidos, assistir vídeos na internet, quando me deparei com um vídeo da Xuxa em início de carreira. Coitada, corria de um lado para o outro, sozinha, tentando ora afastar crianças do meio da brincadeira, ora deixá-las sentadas em seus lugares. Uma brincadeira demorava séculos para ser iniciada porque os baixinhos simplesmente não paravam quietos e acabavam atrapalhando. Ainda não tinha nenhuma Paquita no programa.
Lembrei então de mim mesma tentando iniciar uma aula na 5ª série. Eles simplesmente não param. Não adianta falar, gritar, berrar, ameaçar... É desordem total. Somente depois de algum tempo, uma garganta ardendo e muitas veias saltadas é que a aula começa. Lembro com saudade de meu tempo de criança, quando os professores eram respeitados, alguns até temidos, como meu antigo professor de física, um boliviano que ia aplicar prova de óculos escuros. Bons tempos... As mães ensinavam que na escola você deveria se comportar melhor do que em casa, e ai de quem aprontasse.
Hoje em dia, com a evolução dos tempos, tudo mudou. As famílias mais carentes geralmente são chefiadas pelas mães, que na maioria das vezes só têm duas opções de vida. A primeira é trabalhar o dia inteiro para sustentar seus filhos, que por conseqüência passam o dia na rua, entregues à própria sorte. A segunda é passar o dia na casa da vizinha fofocando, o cabelo enrolado e preso com uma bic velha, vestindo uma camisa de deputado desbotada, esperando um bolsa esmola qualquer, e os filhos na rua entregues à própria sorte.
O resultado disso são crianças sem noções de limites. Eles nos xingam, gritam conosco, ameaçam e sempre têm uma resposta afiada. “Não sento e quero ver quem vai me fazer”. “Nem meu pai manda em mim, tia!”, “Meu pai tá na Penal e eu vou ser que nem ele: mexeu comigo leva chumbo”, “Tá gaiata, heim, tia? Tem medo de morrer não?” Esses são alguns mimos ofertados por nossos anjinhos.
Sobem nas carteiras, correm pela sala, saem sem pedir e correm pelo corredor. Uma menina com maquiagem de festa e brincos até o ombro berra que o Lucas (ou o Mateus, ou o Tiago...) escondeu o caderno dela. Em seguida, tenho que separar o Lucas-Mateus-Tiago que está agarrado no cabelo dela.
Por isso tive a idéia de contratar uma Paquita. Como no programa, ela me ajudaria a manter os baixinhos no lugar, só deixaria chegar até mim aqueles que precisassem de alguma explicação adicional, separaria as brigas enquanto eu estivesse corrigindo, mandaria o Lucas(meu Deus, como tem Lucas nesse mundo!) parar de gritar com a colega. E eu não ficaria assim, que nem a Xuxa no início da carreira, sem conseguir dar atenção especial a ninguém, só um inexpressivo “An-ham, Cláudia, senta lá”.Enquanto nós tivermos que assoviar, chupar cana, plantar bananeira e manter o Lucas-Mateus-Tiago no lugar,a educação não vai funcionar.
“Menino, desce já daí!!!!!!!!!!!!!!!!”

Tina
"Saudações a quem tem coragem,
aos que estão aqui pra qualquer viagem.
Não fique esperando a vida passar tão rápido.
A felicidade é um estado imaginário."