domingo, 31 de agosto de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
MI CASA ES SU CASA… O ESCAMBAU!
Se você me ama, não me peça nada emprestado! Nem mencione a possibilidade, sob pena de me ver ter uma crise de nervos envolvendo tremores, suor frio, gagueira e um olho só piscando freneticamente. Estou avisando, vai ser assustador! As pessoas vão questionar o que você deve ter feito, indivíduo sem coração, para deixar uma pessoa nesse estado e você antes de ser linchado só vai ter tempo de gritar: “ Era só um DVD! Eu juro!”
Bom, alertado você foi...
É estranho como as pessoas desenvolvem certas fobias. Saiba, amigo, que nem sempre fui assim. Eu, na verdade, era daquelas pessoas que sempre gostavam de agradar. Pior ainda: fazia parte daquele grupo de pessoas propensas a ter ataques cardíacos, depressão, desenvolver úlceras e ter câncer. Não falo dos sedentários, fumantes ou alcoólatras. Estou falando das pessoas que não sabem dizer não. Sim, leitor! Eu confesso! Ó, fraqueza de espírito cruel!
Mas esse terrível distúrbio não estava sozinho. Aliado a certa timidez, chegava a ser perigoso.
- Vamos atravessar o rio a nado.
- É que eu não sei...
- Deixa de ser mole, mulher, tem que curtir uma aventura. Pula logo! Isso, agora me segue... Tina?
- Glub...glub...
Se você conhece uma pessoa que não sabe dizer não, amarre-a! Um dia ela vai agradecer.
A ruína de quem não sabe dizer não é ter em companhia uma pessoa que fala pelos outros.
- Quer sopa de jiló, querida? Leva soja, receita nova, preciso que alguém prove.
- Ham... É que eu já jantei, até comi demais...
- Ela quer sim, é que ela é tímida!
- Aff...
E tem aquela pessoa que finge não escutar uma sutil desculpa insinuada.
- Dá uma olhadinha nos meus três filhos enquanto eu dou uma saidinha com os amigos?
- Ih, tenho um planejamento pra entregar amanhã, coisa chata, dificílimo...
- Só umas horinhas, tá? Valeu mesmo! Aqui tem as fraldas, mamadeira, remédios pra febre e diarréia...
Mas os empréstimos... Ah, esses são os piores. Raramente alguma coisa volta, e quando volta, tenho vontade de chorar quando vejo o estado lastimável. Lixo. Sem contar que moro num ponto do universo onde as coisas somem misteriosamente, um buraco negro que engole coisas, na grande maioria minhas, e nunca devolve. São centenas de lápis de olho, batom, sombra, roupa, acessórios, esmaltes, perfume CDs e similares que simplesmente viraram pó.
- Lápis de olho?
- É.
- Não, vi não. Não sei nem o que é.
- Mas você usou ontem.
- Ah... Lembrei! Hum... vi não.
Mas o ponto máximo da festa, ou seja, o clímax, onde a coisa realmente desandou foi ficar sem uma das minhas paixões: meus filmes. Saio pouco de casa, só para respirar um pouco de vez em quando. Gosto mesmo é de um filminho ou um bom livro embaixo do edredom. Infelizmente para algumas pessoas, objetos dos outros não parecem ter valor algum. Já perdi a conta de quantos títulos maravilhosos perdi emprestando. Alguns, inclusive, que eu uso nas minhas aulas. Isso me deixa doente!
- Sabe aqueles DVDs que eu te emprestei outro dia? É que eu vou passar um filme na escola e queria um deles.
- Ah, num vai dar não, ó. Tá tudo na casa da Patricinha, emprestei pra ela semana passada.
- Todos os dez?
- Depois eu passo lá e pego.
- Mas já tem dois meses.
- Hum, pois é, se é que eles ainda existem... Ah, passa outro! Por falar nisso, num tem nenhum novo aí, não?
- NÃO!
- Nem um livro? Aquele que eu te vi comprando...
- Gah...ugh..grof...
- Esse olho piscando, essa tremedeira, você ta me assustando...
Ufa! Não foi fácil. A primeira vez é dureza. Mas eu consegui. Não sem um trauma e seqüelas permanentes. Mas o fato é que aprendi a dizer não. Não. Não, não, não e não! Não de novo, só pra apreciar o som. Se eu não cuidar de mim e das minhas coisas, quem vai? Pode ser o Bento XVI, vai ouvir um não redondo. Ainda gosto de tratar bem meus amigos e de agradá-los, mas para alguns, um pequeno grupo, as coisas vão mudar.
-Sinta-se como se estivesse na MINHA casa.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." (Friedrich Nietzsche)
Eu voto Nulo
Na margem do Rio Acre eu sentei e chorei...
Não vou falar de lendas porque tudo em que sempre acreditei não passa de mentira.
Quem dera eu pudesse voltar no tempo até aquele momento de escolha, no qual um "sim" ou um "não" podem mudar toda a nossa vida...
Eu teria dito não. Um não bem grande àquilo que chamávamos de ideologia e que hoje me faz parecer uma tola. Os verdadeiros heróis da história, aqueles que foram às ruas pedir mudanças, que queimaram ao sol para eleger o partido, agora estão esquecidos e humilhados. Alguns de nós até perseguidos. E por quem? Algum partidário rival arrependido, vindo de algum lugar das trevas para ganhar dinheiro e fazer nome em cima dos verdadeiros merecedores de reconhecimento.
Alguns até podem dizer que lá estão por mérito próprio. Realmente. Ser parente de político hoje em dia é um grande mérito.
E observando a lentidão, a falta de critérios, a arbitrariedade e o modo como as atitudes são tomadas ultimamente, esse PT novo, "admirável PT novo", não se enquadra mais na minha noção de ideologia. E não é mais, portanto, opção de vida.
Os mesmos companheiros que até bem pouco tempo atrás apertavam nossas mãos vestidos de camiseta, havaianas e colar de sementes, hoje passam em seus carrões do ano, de terninho ou de saltinho 15, sem olhar humanamente para quem ainda está na luta.
Na luta ainda estou eu, pobre professora de contrato provisório, (tirada do EJA por "saber demais") que trabalha assim desde quando ninguém em sã consciência aceitava lecionar para o Estado.
E fazia por ideologia.
Fazia...
A ideologia morreu...
Todos os partidos políticos são iguais.
Tina
"EU SOU GUERREIRO, SOU TRABALHADOR! E TODO DIA VOU ENCARAR COM FÉ EM DEUS E NA MINHA BATALHA. ESPERO ESTAR BEM LONGE QUANDO O RODO PASSAR..."
"EU SOU GUERREIRO, SOU TRABALHADOR! E TODO DIA VOU ENCARAR COM FÉ EM DEUS E NA MINHA BATALHA. ESPERO ESTAR BEM LONGE QUANDO O RODO PASSAR..."

Precisa-se de Paquita
Professora de Ensino Fundamental de colégio público procura Paquita com experiência. Tratar com a autora.
Estava eu num de meus passatempos preferidos, assistir vídeos na internet, quando me deparei com um vídeo da Xuxa em início de carreira. Coitada, corria de um lado para o outro, sozinha, tentando ora afastar crianças do meio da brincadeira, ora deixá-las sentadas em seus lugares. Uma brincadeira demorava séculos para ser iniciada porque os baixinhos simplesmente não paravam quietos e acabavam atrapalhando. Ainda não tinha nenhuma Paquita no programa.Lembrei então de mim mesma tentando iniciar uma aula na 5ª série. Eles simplesmente não param. Não adianta falar, gritar, berrar, ameaçar... É desordem total. Somente depois de algum tempo, uma garganta ardendo e muitas veias saltadas é que a aula começa. Lembro com saudade de meu tempo de criança, quando os professores eram respeitados, alguns até temidos, como meu antigo professor de física, um boliviano que ia aplicar prova de óculos escuros. Bons tempos... As mães ensinavam que na escola você deveria se comportar melhor do que em casa, e ai de quem aprontasse.
Hoje em dia, com a evolução dos tempos, tudo mudou. As famílias mais carentes geralmente são chefiadas pelas mães, que na maioria das vezes só têm duas opções de vida. A primeira é trabalhar o dia inteiro para sustentar seus filhos, que por conseqüência passam o dia na rua, entregues à própria sorte. A segunda é passar o dia na casa da vizinha fofocando, o cabelo enrolado e preso com uma bic velha, vestindo uma camisa de deputado desbotada, esperando um bolsa esmola qualquer, e os filhos na rua entregues à própria sorte.
O resultado disso são crianças sem noções de limites. Eles nos xingam, gritam conosco, ameaçam e sempre têm uma resposta afiada. “Não sento e quero ver quem vai me fazer”. “Nem meu pai manda em mim, tia!”, “Meu pai tá na Penal e eu vou ser que nem ele: mexeu comigo leva chumbo”, “Tá gaiata, heim, tia? Tem medo de morrer não?” Esses são alguns mimos ofertados por nossos anjinhos.
Sobem nas carteiras, correm pela sala, saem sem pedir e correm pelo corredor. Uma menina com maquiagem de festa e brincos até o ombro berra que o Lucas (ou o Mateus, ou o Tiago...) escondeu o caderno dela. Em seguida, tenho que separar o Lucas-Mateus-Tiago que está agarrado no cabelo dela.
Por isso tive a idéia de contratar uma Paquita. Como no programa, ela me ajudaria a manter os baixinhos no lugar, só deixaria chegar até mim aqueles que precisassem de alguma explicação adicional, separaria as brigas enquanto eu estivesse corrigindo, mandaria o Lucas(meu Deus, como tem Lucas nesse mundo!) parar de gritar com a colega. E eu não ficaria assim, que nem a Xuxa no início da carreira, sem conseguir dar atenção especial a ninguém, só um inexpressivo “An-ham, Cláudia, senta lá”.Enquanto nós tivermos que assoviar, chupar cana, plantar bananeira e manter o Lucas-Mateus-Tiago no lugar,a educação não vai funcionar.
“Menino, desce já daí!!!!!!!!!!!!!!!!”
Tina
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