domingo, 14 de setembro de 2008

Fala aí

É o tipo de coisa que só acontece conosco. É só dizer que se formou em inglês pra ouvir o famigerado pedido: “Então, fala alguma coisa aí pra eu ver!”. Alguns inocentemente, pela curiosidade, outros num tom de dúvida, beirando o desafio, com aquele meio sorriso de deboche. Já usei da boa e velha cortesia, dizendo uma bobagem qualquer. Mas há algum tempo decidi: se quer meus serviços, pague por eles. Estudei muito para isso. Quem se apresenta em troca de aplauso é mico de circo. Eu levo meu trabalho a sério, chega de ficar dando showzinho para divertir as pessoas. E olha que tem algumas que são bem abusadas.
- Ah, fala aí! Como é “bom dia”? E “eu te amo”? Ah, essa eu já sabia. Fala mais alguma coisa aí!
- Something.
- O que?
- É alguma coisa em inglês.
- Ahnn...
Fala sério! Será que isso acontece com outros profissionais? Quero dizer, gostaria de ver uma pessoa dessas falando a um dentista:
- Então, extrai esse ciso aqui pra eu ver!
Ou:
- Pedreiro? Então, levanta uma parede aí pra eu ver!
Ou ainda:
- Cirurgião? Então, abre meu tórax aqui pra eu ver!
E tem aqueles que vêm com o texto decorado de casa, pra testar nossos conhecimentos e, eventualmente, nossa paciência:
- Duvido você traduzir isso aqui!
- Ah, isso quer dizer que a pessoa não guarda nenhum segredo.
- Te peguei! Segundo o dicionário, aqui diz que a pessoa num tem nenhum esqueleto no armário.
- É que se trata de uma expressão...
- Num me enrola, você num sabia!
Salvo os mágicos, que devem ser obrigados a fazer truques de cartas até em velórios, nós, professores de inglês somos os profissionais mais sofredores que existem. Mas quer saber? Às vezes a gente se diverte!
- E o meu nome?
- Como?
Ai, ai, ai... Não adianta explicações, o povo quer que a gente faça o milagre de traduzir para o inglês a desconcertante criatividade brasileira.
- Quero saber como é Valdicreide em inglês.
- Ahn... hum... pffffff...ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah...
- Se num sabe, fala, pô!
- ah, ah, ah...é...é..pffff...hua, hua, hua, hua....
- Nojenta!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ALGUÉM PODE ME DIZER ONDE O CANDIDATO A PREFEITO SÉRGIO PETECÃO FAZ SUAS COMPRAS? O CARA CONSEGUE FAZER MILAGRE COM 64 REAIS!PETECÃO, FAZ AS COMPRAS PRA MIM, VAI...

sábado, 6 de setembro de 2008

"Não adianta olhar por céu, com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve,
Você pode,você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Não quer dizer que você tenha que sofrer
"

"Muda, que quando a gente muda
O mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude
Nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?"

(Gabriel o Pensador)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

♫"Quero saber por que não tenho direitu-tu
A ter um bom atendimentu-tu" ♫

A Via Crucis de uma grávida que depende do sistema público de saúde.

À espera do terceiro filho e pela segunda vez tendo que utilizar o sistema público de saúde, vejo que em cinco anos nada mudou. A saúde continua um caos. Diagnóstico: metástase.

Há cinco anos atrás depois de passar muito mal, fui encaminhada para atendimento na Maternidade Bárbara Heliodora, onde são tratados os casos de gravidez de risco. Só o termo “risco” já deveria ser um pressuposto de bom atendimento (risos). Vã esperança. Dei o azar de ser atendida por uma senhora de nome Elizabeth, nada simpática. Na verdade, quando olhava para ela imaginava um apartamento escuro e dezenas de gatos. A expressão era de estar sempre sentindo cheiro de cocô, sabe, aquele nariz franzido. E o humor, esse era ótimo! O mundo deve ter feito um grande mal a ela.

Depois de críticas sobre meu peso, um sermão sobre o exame preventivo de câncer e dezenas de suspiros impacientes, eu tinha que falar aquilo!

- Drª., eu queria pedir mais uma coisa...

- Ah, todo mundo quer me pedir alguma coisa! Quero ver quem é quem vem me dar!

Era só um atestado. Mas como professora de contrato provisório, cujo único direito é o de “permanecer calada e tudo o que disser pode e será usado contra você numa nova contratação”, engoli mais um sapo – um a mais, um a menos, que diferença faz? – e fiz o tal pedido.

Na fila da ultra-sonografia, a regra também é essa. Foi engraçado ver a senhorinha de cara entediada gritar de forma mais entediada ainda: “As que vão fazer a endovaginal truxero as camisinha?” ao que algumas mulheres na fila responderam balançando camisinhas no ar. Quando entrei, uma enfermeira simpática disse baixinho, toda preocupada: “Minha filha tire o sapato rapidinho e já fique aqui pronta, que ele num gosta de esperar. Ah, e num fique fazendo pergunta sobre o sexo do bebê, que os médicos não gostam, tá?”

Parece mentira, mas acredite, eu estava lá, e realmente o que ele me disse foi um rápido “não deu pra ver o sexo”. Tive que pagar para saber que esperava um menino. O médico da clínica particular disse que só sendo cego para não ver um “pintão” daqueles!

Bom, aqui estou eu cinco anos depois. Continuo no contrato provisório e os sacrifícios da família são para manter meus filhotes em escola particular e com plano de saúde em dia. Por isso, fila do SUS de novo! A novidade agora é que nos postos somos atendidas por enfermeiras. Elas fazem requisição de exames e prescrevem receitas. Não quero de forma alguma diminuir a classe, aliás, o atendimento é até mais humano com elas, são bem mais atenciosas. Mas por que uma grávida não pode ser assistida por um médico? Quero dizer, como podemos ter assegurados os direitos da gestante de conversar sobre o parto, escolher a melhor forma, dividir seus medos?

Pois bem, depois de ter um cisto detectado na ultra-sonografia, procurei um ginecologista para obter maiores informações. “Isso é normal. Da próxima vez, você pode ir com a enfermeira mesmo”. Não satisfeita (sou teimosa mesmo!), procurei uma segunda opinião num outro posto. Nada fácil, pois quase não há médicos nos postos! Dessa vez, a médica já me recebeu com a pergunta “por que eu não tinha ido me consultar com a enfermeira?”. Falei dos meus medos, do cisto, das duas cesáreas, que não sinto dores ou contrações e não tenho passagem, que me deixam esperando muito tempo...

- Não sente nada? Bom pra você! É assim mesmo, tem que esperar até ter contrações senão sangra demais. E da próxima vez, pode ir com a enfermeira mesmo.

Aff... e nem falei das filas, da espera, das faltas do profissional que só ficamos sabendo depois um dia perdido, das condições de atendimento, da falta de remédios...

Me deu uma saudade da minha primeira gravidez, quando pude fazer tudo particular e mudaram meu nome para "meu bem"! Bons tempos...

Agora, aprendida a lição, ligadura já!

Ahnnnn ... mas preciso perguntar onde e como faço isso. Ah, nãoooooooooo! Vai começar tudo de novo...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SUA

SUAVE CANÇÃO
SEUS OLHOS DERRAMAM
DOCE É O SOM
DA SUA LÁGRIMA
SUSPIRA...
SUSPIRO...
SILENCIOAMENTE
BEIJO SUA FACE
PARA SORVER SEU CHORO
E SUSSURRO AO SEU OUVIDO:
- SOSSEGA, SOU SUA...

( TINA )