♫"Quero saber por que não tenho direitu-tu
A ter um bom atendimentu-tu" ♫
A Via Crucis de uma grávida que depende do sistema público de saúde.
À espera do terceiro filho e pela segunda vez tendo que utilizar o sistema público de saúde, vejo que em cinco anos nada mudou. A saúde continua um caos. Diagnóstico: metástase.
Há cinco anos atrás depois de passar muito mal, fui encaminhada para atendimento na Maternidade Bárbara Heliodora, onde são tratados os casos de gravidez de risco. Só o termo “risco” já deveria ser um pressuposto de bom atendimento (risos). Vã esperança. Dei o azar de ser atendida por uma senhora de nome Elizabeth, nada simpática. Na verdade, quando olhava para ela imaginava um apartamento escuro e dezenas de gatos. A expressão era de estar sempre sentindo cheiro de cocô, sabe, aquele nariz franzido. E o humor, esse era ótimo! O mundo deve ter feito um grande mal a ela.
Depois de críticas sobre meu peso, um sermão sobre o exame preventivo de câncer e dezenas de suspiros impacientes, eu tinha que falar aquilo!
- Drª., eu queria pedir mais uma coisa...
- Ah, todo mundo quer me pedir alguma coisa! Quero ver quem é quem vem me dar!
Era só um atestado. Mas como professora de contrato provisório, cujo único direito é o de “permanecer calada e tudo o que disser pode e será usado contra você numa nova contratação”, engoli mais um sapo – um a mais, um a menos, que diferença faz? – e fiz o tal pedido.
Na fila da ultra-sonografia, a regra também é essa. Foi engraçado ver a senhorinha de cara entediada gritar de forma mais entediada ainda: “As que vão fazer a endovaginal truxero as camisinha?” ao que algumas mulheres na fila responderam balançando camisinhas no ar. Quando entrei, uma enfermeira simpática disse baixinho, toda preocupada: “Minha filha tire o sapato rapidinho e já fique aqui pronta, que ele num gosta de esperar. Ah, e num fique fazendo pergunta sobre o sexo do bebê, que os médicos não gostam, tá?”
Parece mentira, mas acredite, eu estava lá, e realmente o que ele me disse foi um rápido “não deu pra ver o sexo”. Tive que pagar para saber que esperava um menino. O médico da clínica particular disse que só sendo cego para não ver um “pintão” daqueles!
Bom, aqui estou eu cinco anos depois. Continuo no contrato provisório e os sacrifícios da família são para manter meus filhotes em escola particular e com plano de saúde
Pois bem, depois de ter um cisto detectado na ultra-sonografia, procurei um ginecologista para obter maiores informações. “Isso é normal. Da próxima vez, você pode ir com a enfermeira mesmo”. Não satisfeita (sou teimosa mesmo!), procurei uma segunda opinião num outro posto. Nada fácil, pois quase não há médicos nos postos! Dessa vez, a médica já me recebeu com a pergunta “por que eu não tinha ido me consultar com a enfermeira?”. Falei dos meus medos, do cisto, das duas cesáreas, que não sinto dores ou contrações e não tenho passagem, que me deixam esperando muito tempo...
- Não sente nada? Bom pra você! É assim mesmo, tem que esperar até ter contrações senão sangra demais. E da próxima vez, pode ir com a enfermeira mesmo.
Aff... e nem falei das filas, da espera, das faltas do profissional que só ficamos sabendo depois um dia perdido, das condições de atendimento, da falta de remédios...
Me deu uma saudade da minha primeira gravidez, quando pude fazer tudo particular e mudaram meu nome para "meu bem"! Bons tempos...
Agora, aprendida a lição, ligadura já!
Ahnnnn ... mas preciso perguntar onde e como faço isso. Ah, nãoooooooooo! Vai começar tudo de novo...
2 comentários:
Amiga, nao vou nem falar da diferenca do tratamento daqui, se for dar os detalhes eh humilhacao ou o povo vai dizer q quero aparecer. Mas a principal diferenca eh que aqui as pessoas sao tratadas como pessoas e a palavra-chave eh RESPEITO! Nao so pq vc ta carregando uma nova vida, mas pq vc, como individuo, merece ser tratada como gente! Eu, hein? Madalena, vc nao quer que eu volte!!!!!!!
por isso q falo sempre - " gravida de novo nunca +" as pessoas ate rir, ou me acha desnaturada, sei lá.. mas sinceramente é muita humilhação,as vezes ate me pergunto, pq esse povo não escolheu outra profissão, se não ta no que realmente gosta dar vaga pra outro!enfimn bom mesmo seria se fossemos ricos.rsrrssrsrs
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